18.12.05
Uma amiga minha, aqui há tempos, dizia-me que "os telejornais à hora de jantar são uma ideia muito má, porque tornam as pessoas insensíveis às desgraças". Terá o seu quê de razão... mas eu penso que há certos assuntos que tocam as pessoas, passem às horas que passarem. E um deles é o assunto da recém-nascida de Viseu.
Para todos os que ignoram o que se passa no país (ou que pura e simplesmente se estão a cagar para os noticiários), aqui fica um apanhado geral: uma menina, de mais ou menos 50 dias de idade, deu entrada no Hospital de Viseu com indícios de abusos sexuais. A menina esteve em coma, já melhorou, mas os médicos indicam que vai ficar com marcas para o resto da vida (pode ficar cega de um olho, com sequelas sensoriais). Para juntar mais uma acha à fogueira, a bebé, em 50 dias de vida, a criança já havia dado entrada no mesmo hospital, à mesma com sinais de maus tratos físicos, por quatro vezes. QUATRO. É claro que os pais já foram detidos, ela de 20 anos, ele de 22, que até aliás já havia sido identificado em pelo menos três actos de abusos sexuais a raparigas menores.
Agora eu faço uma pergunta: "e agora?". Agora, o que vai acontecer às três personagens deste conto de horror? Será que os santos pais da menina passarão uns diazinhos de férias na PJ, para depois voltarem de novo às ruas? Voltará a situação a repetir-se, mesmo sabendo que todo o país já tomou conhecimento da sua "façanha" e mesmo sabendo que a criança agora está aos cuidados da avó? Sim, porque eu não acredito que, após uma grande lavagem ao cérebro, uma avó não se compadeça do/a filho/a e lhe entregue de novo a neta... E o que acontecerá à pequena Fátima? Terá finalmente o direito de crescer numa família normal que lhe dê amor, ou terá o destino que comentei anteriormente?
No entanto, há mais um culpado nesta trama: a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR). Foram precisas quatro viagens ao hospital para eles tomarem conhecimento que havia uma menina recém-nascida a ser abusada? Na primeira, vá que não vá, pode-se dar o desconto; na segunda... talvez ainda se dê o benefício da dúvida (dificilmente, mas enfim...); mas na terceira, pela madrugada!, só não vê quem é cego! Depois acho uma extrema piada quando o presidente da CNPCJR anuncia que "o sistema funcionou, não resultou de negligência ou omissão de alguém. O hospital de Viseu não falhou e a Comissão procurou que a criança fosse mantida em condições de segurança."
Eu juro, a sério, que gostava de fazer um comentário decente sobre a frase, mas não consigo parar de me rir. Se a culpa não é do sistema, se não é da comissão, se não é do hospital... então de quem é, Sr. Presidente? Minha é que não há-de ser, afinal de contas... e também gostava de saber qual é a noção de segurança deste senhor: se procuraram "que a criança fosse mantida em condições de segurança", como ele diz, então como é que a criança vai acabar com os mesmos que a maltrataram?
Sei que isto vai parecer contraditório, mas eu espero que os pais sejam postos em liberdade, e também espero que eles regressem à sua casinha. Porque eu sei que, se alguém naquela terra desconfia que eles estão livres e a apenas uma parede de distância... bom, eu não quereria estar na pele deles.

Bons linchamentos.

PS: queria aproveitar para mandar um desejo de melhoras à amiga que referenciei anteriormente, que foi recentemente operada. Arriba, moça! =)

(não sei se este será o meu último post do ano, mas a como minha recente taxa de "postagem" assim o parece indicar, estamos assim: se este for o tal, então Feliz Natal e Boa Passagem, com muitos excessos. Se não for... então, como diria Rowan Atkinson: "Sod off")
disfunção original de Rodolfo Dias às 22:21

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Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
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