12.02.15

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Antes de mais...

O


 

Pronto, agora que já metemos a bolinha vermelha no canto do post, continuemos.

Nesta altura do Dia de São Valentim, aparece de tudo um pouco para apelar aos corações dos casais de namorados. Como se a tarefa masculina não estivesse já dificultada por termos de adivinhar o que é que o outro lado da barricada gostaria de receber por esta altura, na edição de 2015 as dores de cabeça para os homens serão ainda maiores, pois, para além de uma prenda catita, as caras-metade querem que eles passem a ser uns "Christian Grey" que as amarrem à cama e lhes façam amor louco e furioso com as mesmas. Tudo por causa do filme que acabou de estrear e que é baseado na trilogia das "50 Sombras de Grey", uma espécie de "Corin Tellado" do século XXI mas com correntes e algemas. Não li os livros - nem sequer faço tenções disso - mas quase calculo que consigo descobrir o enredo: uma jovenzinha inocente apaixona-se por um milionário rico e giro que a seduz e a acaba a introduzir ao BDSM. Basicamente, aqueles livrinhos bons para solteiras com cerca de vinte gatos em casa e que continuam à espera do príncipe encantado ou para donas de casa fartas da aborrecida vida sexual e que esperam que, do nada, os maridos se transformem nuns Chistian Grey e que lhes comecem a dar com uma paddle no nalguedo, as amarrem à cama e assinem um contrato em como elas passam a ser propriedade deles.

Eu sempre tenho tentado viver as coisas sob um prisma de que tudo é possível e permitido a um casal desde que haja a) maioridade de todos os intervenientes e b) consentimento de todos os intervenientes. Por isso, não condeno a malta que pratica o BDSM como deve ser, com todas as suas regras e preceitos, e que se tentem mudar algumas mentalidades sobre isso, por forma ao resto do mundo em geral não considerar os BDSMitas como uma cambada de depravados que se vestem de cabedal e látex e fazem "cenas malucas". Nada contra. A porca torce o rabo é quando começam a aparecer miúdas que lêem o livro e/ou vêem o filme e pensam "meu Deus, eu quero tanto ter um Grey na minha vida" e desatam à procura do primeiro gajo que seja giro, rico e que lhes dê porrada e as domine - e que depois se queixam de terem sido agredidas, de não ser nada daquilo que queriam e tal e coiso. Vamos ser sérios: a história só funciona e só tem tanta atracção porque o personagem alfa da coisa é um homem bonito e rico; caso não tivesse essas duas características, encolhia-se os ombros, era giro e tal e partia-se para outra. E só deixamos fazer tudo o que quisermos à outra pessoa se ela for rica e bonita, basicamente. Se o Grey fosse uma espécie de corcunda de Nôtre Dame, aproximasse-se da Anastasia e lhe sussurrasse ao ouvido com voz fanhosa "quero amarrar-te e fazer amor louco contigo", ela pregava-lhe com um banco na cabeça e fugia dali a sete pés. Não me lixem!

Caríssimas, lerem um livro de ficção/romance erótico e/ou verem um filme sobre o mesmo não faz de vós experts em bondage, em sadomasoquismo ou em merda alguma, para ser sincero. Que sirva para apimentar a vida sexual, tudo bem - e as lojas de artigos sexuais já estão a esfregar as mãos de contentamento com a enxurrada de compras que ai vem - mas armarem-se em submissas apenas para terem um bonzão a dizer-vos que vos quer como submissa é... como hei-de dizer?, uma fantasia, nada mais que isso. Daquelas semelhantes às dos homens fantasiarem com enfermeiras vestidas de látex justinho ou com mulheres cobertas de cabedal e botas de salto alto - e, muitas vezes, elas acontecem e acabam por se revelar uma tremenda desilusão. Por isso mesmo são "fantasias": boas para aqueles momentos em que estamos sozinhos e procuramos estímulo íntimo.

Se quiserem mesmo saber o que é BDSM, leiam, pesquisem (o Google é amigo), mas não se baseiem num livro de ficção de realidade zero. A sério. Ide por mim.

disfunção original de Rodolfo Dias às 21:07
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01.08.13

Uma das chatices de estarmos de férias numa casa que não é nossa é que temos de nos adaptar ao que lá existe, uma vez que muito dificilmente a casa de férias dispõe das mesmas condições que a nossa habitação. Neste momento em que começo a escrever este post (ou esta posta?), daqui da rede, consigo bem ouvir na televisão os berros da Júlia Pinheiro. E confesso que estou a ficar com pele de galinha.

Eu devo mesmo ser uma pessoa limitada. Não consigo perceber a utilidade destes programas da manhã/tarde que hoje em dia e graças a Deus inundam a TV gratuita. Debatem-se os temas em foco na imprensa cor-de-rosa e nas redes sociais, entrevistam-se pessoas que na realidade não queremos ouvir, metem-se músicos a cantar em playback, publicitam-se produtos "milagrosos" para melhorar a saúde dos velhotes, arranja-se forma de sacar uns cobres à malta (a dona cá da casa, só à conta destes concursos, disse adeus a 50€ na factura do telefone do mês passado - e benefício zero)... e basicamente é isto. E é com programas iguaizinhos que se empregam todos os dias da semana umas seis, sete horas dos três canais principais cá desta frederica. A variante é nos apresentadores, pois os programas, seja de manhã, seja à tarde, são idênticos. E agora o formato alastrou-se também aos fins-de-semana, invadindo festas regionais e passando a ser o centro da atenção das mesmas.

Há-de haver muita gente a levantar as mãos a agradecer o facto da generalidade dos portugueses comerem gelados com a testa. De irem todos para o mesmo lado e adorarem este tipo de televisão vazia de conteúdo mas tão rica em futilidades, em coscuvilhice. Sempre que, por alguma infelicidade, tenho de perder algum tempo a ver este tipo de programas, sinto os meus poucos neurónios sobreviventes a agonizarem e a pedirem para lhes acabar com o sofrimento. Não se aprende nada com aquilo! Se eu quisesse ver algo perfeitamente estúpido e desprovido de significado, dedicava-me a ver a vida dos Kardashians, ou arranjava forma de andar vidrado na MTV... não precisava de ter isto também na TV portuguesa.

No dia que eu tome conta desta casa, a primeira coisa que faço é colocar aqui uma antena parabólica para me livrar deste martírio. Depois não tenho é luz para ver TV, mas isso será uma questão para essa época.

disfunção original de Rodolfo Dias às 12:49
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Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
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