10.04.16

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Há coisas que são mais fortes que nós. Que, por mais força que façamos, não conseguimos alterar e ser de outra maneira.

Cada um tem os seus rituais quando assiste a um jogo de futebol da sua equipa – não me digam que não. Ou usar sempre a mesma peça de roupa, ou ir sempre da mesma maneira ao estádio, ou comer a mesma coisa antes do jogo, todos nós (ou muitos de nós, vá) temos aquela superstiçãozita que acreditamos que dá sorte antes de qualquer partida. E eu não sou excepção – o que, per se, é estúpido pois eu não sou supersticioso… excepto no que respeita ao futebol. E, por muito pouco que demonstre, sofro demasiado com a puta merda da bola. De tal forma que a minha superstição é não ver o jogo, isolar-me de tudo e todos, desligar telemóveis e apenas regressar ao mundo quando tiverem passado duas horas do início do jogo. O que, esta temporada, até tem dado frutos – ou por outra, quando quebrei esta rotina a coisa deu merda. No Benfica - Sporting para o campeonato fui arrastado para o Almada Fórum, no Benfica - FC Porto tive um jantar. E como, quando faço este ritual a coisa até nem tem corrido mal, vai-se continuando.

Ontem lá tive de quebrar a rotina mais uma vez. Tive de ir ao Alentejo ajudar na animação de um serão nos confins do concelho de Odemira, portanto o isolamento estava fora de questão. A casa em questão não tinha Sport TV, o que era uma benesse, mas estava rodeado de benfiquistas sempre a falar no jogo e preocupados com o resultado. Para piorar a situação, enganei-me na hora de jogo e, quando dei por ela, o telemóvel já tinha recebido a notificação do golo da Académica… tornando impossível qualquer ideia que eu pudesse ter de me isolar. Talvez pudesse e devesse ter ido à procura de um café com a TV do Oliveirinha, mas eu vivo na convicção que o meu coração há-de ceder quando eu estiver a assistir a um jogo do Benfica, por isso nem me mexi – a não ser ser para mudar a mão da qual estava a roer as unhas até aos cotovelos. Ufff, do mal o menos, o Mitroglou marcou dali a bocado e o jogo chegou ao intervalo assim, informação que passei a quem estava ali ao pé também. Segunda parte e a hora de jantar a aproximar-se, com uma mudança de metade das cordas da viola pelo meio (mau estado obligée). E sempre que podia, lá ia ver se havia uma notificação nova no telemóvel…

Faço aqui um parênteses para falar da cobertura móvel no concelho de Odemira. Um nojo. Seja qual for a operadora, apesar da Optimus NOS ainda conseguir ser a menos ruim. Quem passa a vida a apregoar “cobertura em 100% do território nacional” devia ter uma avaria no carro aqui na zona e depois tentar entrar em contacto com ajuda. Miserável, miserável. Anda-se tão preocupados em arranjar telemóveis 4G à malta e nem se preocupam em disponibilizar sequer 1G ou 2G em algumas zonas do país? Isto tudo porque a cobertura da rede onde eu estava era má (no mínimo) e houve alturas em que não chegava nada, nem os dados do jogo actualizavam, tudo enquanto o telemóvel andava a saltar do ‘H’ para o ‘3G’ e vice-versa.

Continuando… a operação na viola foi sendo feita com um nó na garganta e mãos congeladas, tudo porque não surgiam notícias de Coimbra nem aparecia um apito a assinalar golo de alguém. Até que, depois de mais uma corda metida e de já se estar nos finalmentes da operação, vou ver o telemóvel, está lá uma notificação e é o 1-2! Imediatamente levantei os braços no ar e soltei um suspiro de alívio, as probabilidades de aqueles rapazes continuarem na liderança aumentara exponencialmente – o que, minutos depois, se confirmou. Foi como se um peso de 16 t me tivesse saído de cima da cabeça.

Há quem leia isto (LOL) e me considere um “falso benfiquista” (não seria a primeira vez) por andar arredio dos estádios (náo ter fonte de rendimentos também não ajuda) e nem ver ou ouvir (algo que fazia sempre) os jogos. Já estou naquela fase em que me estou a cagar para as opiniões alheias: vivo e sofro pelo Benfica à minha maneira e não me considero nem mais nem menos benfiquista por isso. E quarta-feira vou-me voltar a enfiar na caverna – isto se não tiver planos.

disfunção original de Rodolfo Dias às 10:20
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20.02.15

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Os ânimos andam demasiado exaltados, as redes sociais andam em polvorosa. Porquê? Pois, boa pergunta.

Desde os ataques ao Charlie Hebdo houve quem bradasse aos quatro ventos que, com aquilo, era o fim da liberdade de expressão, que, a partir daquele dia, as pessoas iam ter medo de continuar a dizer o que pensam. Eu, na altura, achei isso um exagero. Todavia, mais de mês e meio depois dessa triste data, cada vez mais acho que esses arautos da desgraça tinham razão. Mas não pelos motivos propagados - e com esse ataque à liberdade de expressão a vir precisamente de quem mais a "defende".

Não sei se a crise em que vivemos anda a mexer com as cabeças da população e elas acabam por precisar de aliviar o stress de alguma forma, mas diria que nos dias de hoje há que se ter muito cuidadinho com o que se coloca nas redes sociais - muito mais do que se tinha cuidado com as conversas nos tempos da PIDE/DGS - sob pena de alguém, Charlie ou não, não gostar, seja lá por que motivo for, e desencadear a partir dali uma campanha de ódio contra a pessoa (ou instituição - mas já elaboro este caso), que ecoa em outras pessoas que alinham pelo mesmo diapasão, sentem-se ultrajadas pelo colocado... e, a partir daí, o infeliz tem a vida feita num inferno, com ameaças a tudo o que ele tem (família, trabalho, and so on). Passemos a um exemplo.

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A mensagem assinalada é de José Gabriel Quaresma, jornalista da TVI24. Vou fazer um leap of faith e assumir que todos nós, nalgum momento da nossa vida, dissemos algo do género, nas mais diversas situações. Não sei se sim se não, mas não interessa. O que interessa é que houve quem visse e não ligasse, houve quem achasse piada e se risse... e, logicamente, houve quem não achasse piada à coisa. E divulgasse. E a partir daí começaram as ofensas, as acusações, as ameaças, os mails para a TVI com o intuito de provocar o despedimento do jornalista - o costume, portanto, quando as pessoas sentem que estão a atentar contra a honra da sua dama.

Depois há o exemplo da Sagres. Como sabeis, nestes últimos dias apareceu uma publicidade da Sagres baseada numa fífia/frango/"o que lhe queiram chamar" de Rui Patrício no jogo Belenenses - Sporting. E, tal como aconteceu no caso anterior, houve quem achasse piada, quem encolhesse os ombros e, claro está, quem ficasse afrontado com aquilo, indignando-se contra "o achincalhamento do titular da Selecção Portuguesa", jurando nunca mais tocar nos produtos da Sagres, inundando os servidores de mail do provedor do cliente - e, até, colocando no OLX grades de cerveja Sagres à venda (a um preço ridículo, mas não importa).

Eu sou daquelas pessoas que acham que a vida é demasiado curta para andarmos aqui a destilar ódio por tudo o que mexa e não siga as nossas doutrinas e reconheço que também já me indignei algumas vezes com situações parvas, mas... qual a necessidade de chegarmos a estes pontos por coisas parvas? O que aconteceu à nossa boa-disposição, ao nosso poder de encaixe? E vamos partir do pressuposto que estas campanhas de ódio fazem valer os seus direitos e conseguem efectivamente provocar o despedimento do prevaricador: o que se ganhou com isso? Ou é a sempre presente Schadenfreude que tanto amamos e veneramos a entrar em cena?

Gostava que me explicassem isso. Mas com desenhos, pode ser que eu perceba assim.

 

PS: quero desde já deixar bem claro: se as situações se tivessem passado com outros intervenientes de outros clubes, as minhas posições seriam exactamente as mesmas, lamento. Quando não gosto das coisas, não as vejo - parece-me simples matemática, certo? Como diz uma amiga minha, "Ser Charlie não é rir de tudo, é só não matar quem não nos faz rir."

disfunção original de Rodolfo Dias às 11:22
 O que é?

31.07.13

Ora bem, como o primeiro post do período de férias até saiu, siga lá vomitar mais um bocado de peçonha. O tema de hoje é sobre um fenómeno recente, visto muito nas redes sociais (obviamente), mas não só: o "fangirlismo".

Para os que não andam pelo Twitter ou pelo Facecoiso (ou seja, quem não tem computador, o que faz deste parágrafo algo supérfluo), uma fangirl é um elemento, por norma, do sexo feminino (há excepções a este caso, atenção), que basicamente vive para determinados jogadores de futebol. Estais a ver, aqui há uns aninhos, as teenagers que tinham as paredes decoradas com posters do João Vieira Pinto, Nuno Gomes, Beto e outros que tais? Pois, é algo do género - só que elevado à centésima potência. Estas adoptam nicknames alusivos ao jogador que adoram (seja com o nome dele, seja com o número que tem na camisola), criam páginas de apoio ao jogador no Facebook ou contas com o mesmo intuito no Twitter, replicam até à exaustão fotos, notícias, vídeos e tudo o que se relacione com o atleta em questão. E depois vão para o estádio apoiá-lo (podem ir apoiar a equipa por quem ele joga, atenção; mas em primeiro lugar sempre ele, depois o clube) com grandes cartazes a pedirem a camisola dele, bandeiras do país dele cheias de fotos dele, ...

Há um caso em especial que me faz dor de dentes. Como toda a gente que anda nesta coisa das redes sociais sabe, um dos jogadores com mais seguidores é o Salvio, do Benfica. Como seria "normal", existem inúmeras fangirls dele. Uma delas chega a ser obcecada ao ponto de enviar presentes ao Salvio, à mulher e aos filhos deles. Para além, claro está, de centralizar a sua vida em redor do Salvio, da defesa irracional do Salvio. Para esta pessoa, ele nunca joga mal, é o melhor jogador do mundo e é melhor que o Cristiano e o Messi juntos.

Depois há quem leve a coisa ao extremo. Há quem vá ao estádio com cartazes de "saudades" por jogadores (os ídolos) que lá jogaram e que entretanto saíram do clube com conotação de mercenários, há quem tenha orgulho em jogadores que nunca fizeram nada de jeito quando andaram em Portugal... e depois há aquelas que até molham as cuecas quando um deles lhe diz alguma coisa, ou faz um retweet a um tweet delas sobre eles (e o colocam na sua biografia a data, hora e nome do atleta que lhes dispensou um segundo de atenção!)

Eu sei que sou um gajo parvo (hoje tive mais uma confirmação disso mesmo), mas pertenço àquele grupo de pessoas que acha que os jogadores de futebol são pessoas como eu, como qualquer um. Se abrissemos um deles, veríamos que têm dois pulmões, um coração, um estômago, uma carrada de metros de intestinos... tudo normal. Não são deuses. São apenas pessoas que jogam bem futebol - e são pagas a peso de ouro para o fazerem. Há mais pessoas a merecerem veneração e admiração do que eles... e que nunca receberão este tipo de reconhecimento. Tudo porque não sabem dar um chuto numa bola.

Que sociedade de merda.


NOTA: utilizei aqui mais o exemplo do Twitter pois é a rede social que mais frequento. Todavia no Facecoiso o funcionamento é idêntico.

disfunção original de Rodolfo Dias às 20:40
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Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
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