15.03.17

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Sim, mais um post sobre a desertificação.  E então?
Muita gente que habita nas imediações de Lisboa (qualquer grande cidade, na realidade, mas apetece-me implicar com os lisboetas, e agora?) entraria em pânico se precisasse de ir a um supermercado e este se situasse a uns 30 km de distância. Ou se tivesse um problema de saúde súbito que fosse necessário ir às urgências do hospital e estas estivessem localizadas a uns 70 km. E, todavia, existe muito boa gente que vive nessa realidade, em diversas zonas afastadas dos grandes centros de decisão; uma dessas zonas é aqui em que neste momento me encontro, nos confins do concelho de Odemira. Talvez esta fosse a zona a que o ex-ministro Mário "Jamé" Lino aludia quando se referiu ao "deserto". Sim, já sabemos que o interior está despovoado e ao abandono, que as vias de comunicação são de "passagem por" e não de "paragem em", que não há investimento suficiente para fazer as pessoas fixarem-se a estes meios pequenos. Então qual a solução? Deixar-se morrer quem ainda aqui vive e termos "aldeias-fantasma" à laia de atrações turísticas como hoje já temos as ruínas romanas, árabes e pré-históricas? Deixar que tudo isto se transforme num deserto como o do Sahara?
Só que ao mesmo tempo vem o reverso da medalha: como é que se convence alguém a investir nos meios rurais? Qual é a empresa que vai arriscar estabelecer-se num meio com pouca gente sabendo que todos os meios que necessita (matéria-prima, mão-de-obra) se encontram em quantidade insuficiente nas imediações? Só com grandes incentivos do Estado é que pode haver alguém a pensar nisso, o que não é solução, pois os cofres estatais não servem propriamente (ou não deviam servir) para esse tipo de coisas.
Então qual a solução? Pois, essa é que é a pergunta dos 50 mil euros. Mas "deixar morrer" é a solução que mais me revolta...

disfunção original de Rodolfo Dias às 10:35
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18.05.16

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Vou retornar a um assunto que já abordei faz tempo. Bastante tempo, ao que parece. Isto porque em onze anos nada mudou.

Ao longo da história, a freguesia de São Martinho das Amoreiras tem andado a balançar entre dois municípios, o de Odemira e o de Ourique. Eventualmente, acabou por se tornar parte integrante do primeiro. Infelizmente.

Infelizmente porque o “maior concelho de Portugal” possui uma câmara que enche a boca para falar do seu tamanho mas que depois apenas se foca naquela faixa litoral que vai de Vila Nova de Milfontes a Aljezur, pejada de praias e que é um pólo de atracção para o turismo. E, desde os tempos que me lembro, as atenções que a cúpula camarária tem deitado ao restante território têm sido mínimas ou inexistentes – o que levou a que a vasta maioria do concelho esteja, na sua esmagadora maioria, votada ao abandono. E nem mesmo assim as pessoas e partidos que passam pela Câmara Municipal se movem para tentar dar condições de vida às poucas pessoas que ainda habitam nas freguesias interiores do concelho de Odemira. Claro, as aldeias e lugares possuem estradas alcatroadas, luz eléctrica… mas e as pessoas que não habitam nas aldeias e lugares? E quem vive no seu monte? Não é um ser humano como os habitantes do litoral? Não paga IMI como os do litoral? Como se justifica que, em 2016, ainda haja pessoas sem acesso a algo tão básico como a electricidade apenas e só porque a autarquia não está para gastar 50 mil euros para levar a luz à casa das pessoas? Em vez disso, colocou painéis solares nos montes das pessoas que ainda residem nos confins do concelho, o que seria algo de muito justo e nobre e uma alternativa viável… se a luz solar instalada tivesse potência para se ligar um frigorífico ou uma máquina de lavar roupa, ou se fosse possível ter mais do que uma tomada em toda a casa, o que não é o caso. Resultado? Quando há Sol, pode-se estar relativamente à vontade, ver-se um pouco de TV, mas nos dias mais cinzentos ou invernosos tem de se ter cuidado com a racionalização da luz: apenas para a iluminação.

Em Ourique, foi agora concluída a electrificação de duas zonas do concelho, onde foram gastos 75 mil euros no total. No concelho vizinho sempre houve muito a política de fazer, mesmo sem dinheiro (e daí terem acumulado uma dívida brutal, da qual têm estado a recuperar), enquanto em Odemira nunca se fazia porque “não havia dinheiro”; ironicamente, em 2014, a dívida odemirense era superior à de Ourique. Por causa desta diferença de filosofias camarárias é que o nível de vida dos habitantes do concelho de Ourique é bastante superior ao dos de Odemira. Por isso é que, voltando acima no texto, ainda temos habitantes da freguesia de São Martinho sem acesso a electricidade mas com “vizinhos” a um quilómetro que dispõem dessa mais-valia. Da última vez que a electricidade foi espalhada por mais uns montes ao redor do lugar da Corte Malhão, chegou-se ao cúmulo de se levar o cabo à porta de montes abandonados e em estado de ruína… enquanto outras casas habitadas eram ignoradas. E anda-se nesta batalha há mais de vinte anos, com quilos e mais quilos de promessas adiadas, pedidos arquivados, favores esquecidos. Apenas na altura das eleições se garante que “a electricidade vai chegar a todo o lado do concelho”, todavia isso nunca se chega a verificar.

O lema do concelho de Ourique é “por Ourique, pelos ouriquenses”; e o de Odemira, como será? “Pelo Litoral, pelos habitantes do litoral”?

disfunção original de Rodolfo Dias às 21:05
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