03.06.15

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As redes sociais são cada vez mais um cancro. A conclusão é fácil de se chegar. E chega-se lá por muitos lados.

Nestes últimos dias, por esse Facebook surgiu uma corrente de defesa de animais. Nada de novo, pois então: hoje em dia é das coisas que mais surge, para além de lojas de chineses, lojas de indianos e igrejas evangélicas. Também não vejo nada contra, afinal de contas, pois os animais não têm culpa que o ser humano seja um bicho cruel e incapaz de viver em sociedade com outros (nem os da própria espécie, quanto mais os das outras!).

A grande revelação é por ver que esta corrente de defesa de animais é em prole... dos caracóis. Dessas criaturas sentientes que sofrem horrores dentro de uma panela com molho a ferver e são cozidas vivas e metidas aos magotes dentro de travessas para serem depois chupadas para fora das suas cascas ou retiradas dela com recurso a alfinetes ou palitos. Sim, há pessoas que se indignam com o facto de haver outras pessoas que se deliciam com esse petisco, podendo passar tardes inteiras de roda de uma travessa deles e a abanhá-los em cerveja. E, vai daí, toca de reunir esse grupo de pessoas e tirar fotos com cartazes a perguntar "Gostava de ser cozido vivo? Ele também não!", acrescentando uma foto de um caracol, como que para gerar empatia ao público em geral, de olharmos para aquelas criaturinhas tão dóceis e ternurentas e termos dó de as comermos com torradas e cerveja.

Acho que já peca por tardia esta campanha; tenho até algumas sugestões para os seus autores, com vista a animais que também merecem campanhas do mesmo género, com slogans e tudo:

  • "Você gostava de ser esmagado com uma pancada? Ela também não!", com foto de uma mosca;
  • "Você gostava de ser apertado entre dois dedos? Ela também não!", com foto de uma carraça;
  • "Você gostava de ser envenenado? Ela também não!", com foto de uma lagarta;
  • "Você gostava de levar com produtos nocivos para a sua saúde? Ela também não!", com foto de uma pulga;
  • "Você gostava de levar com sprays repelentes? Ele também não!", com foto de um mosquito.

Se formos a ver bem, todos estes cinco exemplos dados são de animais sentientes, certo? Todos eles estão vivos, portanto sentem, certo? Então não nos devemos proteger contra eles porque, afinal de contas, estamos a matar animaizinhos indefesos apenas pelo nosso bem-estar, para não estragarem as nossas coisas ou não se alimentarem de nós. Deveríamos, isso sim, deixar que todos eles subsistam, pois não temos o direito de interferir com eles, certo?

Bom.

Não sou grande fã de caracóis, até passo bem sem os provar, mas tudo isto me parece de um limite absurdo. Há tanta coisa com que se indignarem, vão-se meter agora com os petiscos da malta? O que vem a seguir, manifestações no Terreiro do Paço contra a ingestão dos tremoços, por a planta que os dá ser essencial para o eco-sistema das abelhinhas (nem sei se são ou não)? Invasões de cafés por lá se consumir salada de orelha de porco? Linchamentos por se vender pica-pau, que, para além de ser carne, tem nome de ave e tudo?

Aqui chegamos à frase com que se começou este texto: as redes sociais são cada vez mais um cancro. E não há maneira de acabarem com ele...

disfunção original de Rodolfo Dias às 17:23
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07.05.15

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Este vai ser o meu último post neste web-log - ou em qualquer outra coisa. Não por minha livre e expressa vontade, atenção: apenas acho que, depois disto, haverá pessoas que não vão descansar enquanto não me queimarem vivo no meio de alguma praça porque, graças a Deus, todos somos Charlie e todos temos direito à nossa opinião - contando que essa opinião seja condizente com a da maioria. Mas quero lá saber. Ao menos morro feliz, sabendo que alguém ainda passa algum cartão às minhas disfunções - nem que depois me dêem cabo do canastro.

Durante muitos anos, a sociedade estava bastante simplificada: o homem a trabalhar, a mulher em casa a cuidar dos filhos. Não vou estar aqui a dizer que "assim é que era bom", pois nem sequer é a minha convicção - estou apenas a constatar um facto. Com os anos e a chegada dos novos ventos da liberdade, o ser feminino achou que bastava de estarem sob o jugo tirano do machismo e começaram a reivindicar direitos. Mais uma vez, nada contra. Especialmente nas aldeolas, muitas delas nem à escola iam ou saíam com menos que a 4ª classe, por isso, não vejo mal nenhum insurgirem-se por mudanças e por desejarem uma sociedade mais equalitária, com oportunidades iguais para todos.

E assim, com avanços e recuos nesse aspecto, chegamos aos dias de hoje. A igualdade dos sexos ainda não existe - mas está muito melhor do que há quarenta anos (pudera!). Todavia, por causa disso, tem havido uma corrente no seio feminino (o trocadilho não é de propósito) que, em vez de lutar por essa igualdade, prefere antes defender a superioridade feminina e que "nós somos as maiores e damos abada a qualquer homem que nos apareça à frente, gostamos de foder fazer amor à louca em qualquer parte e aguentamos com tudo o que nos atirem para cima e nós é que precisamos de ter os direitos todos, vocês, homens, têm é de comer e calar porque vocês já mandaram muito em nós!" E tratam de ocupar barbearias onde não é permitida a entrada a mulheres alegando que "o princípio de igualdade deve fazer parte de todo e qualquer serviço ao público" esquecendo-se, porventura, dos ginásios exclusivos para mulheres que existem um pouco por todo o país - e que, se fossem ocupados por algum grupo masculino, cairia o Carmo e a Trindade acusando-os de "chauvinismo", "machismo", "ataque à igualdade de direitos" para além de algumas outras coisas que me estarão a escapar. Da mesma forma que houve um real escabeche por o cientista responsável por aterrar uma sonda no cometa Churyumov–Gerasimenko, em Novembro último, foi obrigado a retractar-se por ter aparecido em público usando uma camisa com meninas semi-descascadas - e há tanta menina que se indignou por isso que, se for preciso, passa os dias no Facebook a colocar fotos de homens semi-nus ou a comprar calendários com bombeiros semi-despidos lá fotografados. Da mesma forma que não vejo protestos pela desigualdade que existe quando se sai à noite para um bar, quando elas têm entrada garantida em qualquer discoteca ou bar e com cartões de consumo mínimo relativamente baixos, ao passo que o homem tem de se sujeitar a uma taluda mais elevada... e a poder ver a entrada barrada, especialmente se for sozinho. E nem sequer vou entrar no conceito das "ladies night"...

Portanto, nos dias de hoje, temos mulheres que querem que os homens caiam de joelhos a seus pés (ainda mais que o que acontece nos dias de hoje) e ao mesmo tempo as devorem na cama, segundo o que de vez em quando surge no site oficial do feminismo em Portugal, onde se reúnem as Marias Capazes desta selva à beira-mar plantada e debitam sentenças sobre o que é "ser mulher" e "como todas as mulheres deviam ser e pensar e agir". Onde se fala de sexo como quem fala do vestido da Kate Middleton - mas onde se abomina programas de cariz sexual em horário nobre, dando um exemplo hipotético.

Sinceramente, há coisas sobre as quais prefiro nem saber que existem - e uma delas é o que seria da sociedade se este núcleo feminista tomasse de facto conta do país ou do mundo. E, ao mesmo tempo, gostava de poder ter um vislumbre dessa realidade alternativa - um daqueles casos de "a curiosidade matou o gato".

E pronto, com estas linhas acabo o texto que me transformará num proscrito e num cadáver. Gostei muito de vos conhecer.

disfunção original de Rodolfo Dias às 22:09
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26.03.15

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Convenhamos: hoje podia-se falar sobre muita coisa. Podia meter-me aqui a atirar teorias sobre o assassinato de 149 pessoas por um co-piloto com desejos suicidas (já que toda a gente agora é formada em aviação, tal como têm licenciaturas em meteorologia, economia e em todos os temas "quentes" da actualidade), podia finalmente colocar aqui, preto no branco, a minha opinião sobre as feministas (e a seguir preparar-me para emigrar para um deserto onde elas não me pudessem encontrar), ou falar sobre os animais que decidiram envenenar o cão do juiz Carlos Alexandre, encarregue do "caso Sócrates". Mas não estou para isso.

Hoje apetece-me andar a puxar memórias de infância (f...-se, isto faz-me sentir velho).

Esta tarde, enquanto dava o meu passeiozinho diário anti-atrofio (das merdas que preciso de fazer agora que deixei novamente de ter ocupação), passei por um campo e estavam lá uma meia-dúzia de putos a jogarem à bola, com uma mochila a servir de poste, uma árvore a fazer de outro poste, do outro lado a mesma coisa, e eles lá pelo meio ainda a tentarem descobrir quais eram as equipas. Não fiquei lá especado a assistir, até porque nestes tempos podia aparecer logo gente a questionar-me o que estava eu ali a fazer; todavia, enquanto continuava a minha caminhada, a minha mente deu um pulo atrás no tempo.

Já não sei que ano era. 1990s-e-muitos. Naquela altura, eu não tinha barriga. Naquela altura, eu ainda corria (hoje em dia, considero isso uma "tentação do Demónio"). E, logicamente, naquela altura eu ainda jogava futebol. Até mesmo em casa, com uma bola de ténis, e fazia sempre altas exibições e grandes reviravoltas nos resultados. Na vida real, todavia, nunca fui grande espingarda. Na escola, sempre que havia futebolada eu era dos últimos a serem escolhidos. E muitas vezes era o "destinado" a ir para a baliza levar com as boladas dos outros; das outras, ficava na defesa mas nunca recebia um passe - logo por aqui se vêem os meus dotes para a coisa e a confiança que os meus colegas tinham nos meus dotes futebolísticos.

Aos fins-de-semana, todavia, a coisa era muito diferente. Muitas vezes eu ia para a casa da minha avó paterna, ali nas imediações da Sobreda da Caparica, numa zona de lotes que, ultimamente, tem andado a ser urbanizada - há largos anos, acho eu. E, dois lotes para o lado daquele onde estava a casita da minha avó, estava um terreno sem dono, com uns barracões de madeira, com uma ligeira inclinação, mas que tinha erva com fartura - perfeito para a prática desportiva para miúdos de 10-15 anos. Numa casa vizinha, morava um rapaz, o Renato, dono de algumas bolas de futebol e a quem calhava ter um colega de troca de chutos. Foi num instante que nos conhecemos e que começámos a trocar uns pontapés nas bolas (salvo seja). Maior parte das vezes jogávamos "de baliza a baliza", ele de um lado, eu do outro, cada um na sua baliza feita de dois calhaus no chão, e a darmos chutos a tentar meter a bola na baliza um do outro. Esta era a minha modalidade preferida, porque... enfim, corria-se menos - e porque nunca tive jeito para fintas, admito-o. De vez em quando lá se jogava futebol a sério, eu contra ele, e logicamente eu levava sempre grandes tareões. Mas, às duas por três, lá aparecia mais gente e tínhamos um jogo mais composto. Algumas vezes, quando não havia equidade no tamanho das equipas, só se jogava com uma baliza (o célebre "rodinha-bota-fora"), outras vezes era mesmo com duas balizas e uma equipa jogava com menos um e a outra jogava com guarda-redes fixo.

Foi assim que conheci muita rapaziada, muito antes do tempo de Facebooks e Twitters e merdas do género. Era o Artur, que vim depois a descobrir que era meu primo distante (e que, infelizmente, perdeu a mãe alguns anos depois para o cancro); era o Ricardo, um sacana arrogante do caraças mas que jogava bem à bola; era o Pedro, o irmão mais velho do Ricardo e que conseguia superar o mano em dotes futebolísticos (e que me chamava Canina, nunca percebi porquê: não sou nem era assim tão pequeno); era o Mário, que morava numa bruta vivenda um bocado mais acima do nosso "campo", ruivo e com sardas - se a memória não me atraiçoa; era o Pedro (? - sinceramente agora já não me recordo se era esse o nome dele), um gajo um bocadito largo das cadeiras (para não dizer gordo) mas que não se desenrascava mal; e se calhar mais alguns, que entretanto a memória já apagou. Muita jogatana fizemos naquele campo, nem faço ideia das vitórias ou derrotas que tive ali, das vezes que se teve de trepar ao telhado dos barracões para ir buscar a bola, ou que se teve de se invadir os lotes vizinhos para ir, mais uma vez, buscar a bola. Uma ou outra vez, quando o rei fazia anos, iamos até ao campo de futebol a sério, se calhar a uns 500 m do "nosso", mas com tamanho mais ou menos oficial e balizas idem (ou seja, para nós, miudagem imberbe, enormes); certo e sabido que, após os jogos naquele campo, eu tinha de tomar um banho.

Depois os anos foram avançando, aquele lote foi comprado ou simplesmente ocupado pela Câmara de Almada como apoio para se começar a urbanização daquela zona, e tivemos de procurar outras áreas para os nossos futebóis, eu e o Renato. Apareceram novos colegas de futeboladas, encontraram-se novos campos, mas os tempos estavam a mudar: a minha avó começou a deixar de ter condições de viver sozinha, começando aí o famoso périplo um-mês-em-casa-de-cada-filho. Com isso, praticamente deixei de ir até lá, e a minha prática futebolística morreu por completo. Dos meus colegas de futebolada, perdi o rasto a todos, até mesmo do Renato - apesar de, uma vez, ele me ter aparecido à frente quando eu trabalhava na Fnac do Almada Fórum. Entretanto os músculos começaram a atrofiar e acabei por renegar por completo o acto de correr da minha vida - a não ser em casos estritamente necessários. Mas há alturas em que tenho saudades daqueles tempos. Tal como esta tarde.

Enfim. Memórias.

disfunção original de Rodolfo Dias às 19:20
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11.03.15

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Bom, hoje estava para comentar mais um assunto do momento - aquela coisa das feministas andarem saídas da casca a invadirem barbearias e a queimarem soutiens - quando uma outra questão, mais próxima cá do peito, brotou do nada e fez-me pensar na vida. Obviamente que não vou entrar em detalhes - são coisas pessoais - mas tenho de arranjar forma de deixar isto sair, e como ainda é ilegar embarcar em "rampage sprees" dignas de um Falling Down, tem de ser por aqui mesmo.

Estais a ver aquelas pessoas de quem nunca nos conseguimos verdadeiramente esquecer, que nos marcam e com quem pensamos, um dia, vir a assentar, que depois nos magoam da maneira mais profunda possível, mandam-nos para o c..., dizem que que somos "pequeninos" e encolhem os ombros a seguir? Pronto, acontece-nos a todos mais cedo ou mais tarde na vida. Depois, com muita luta, muito jogo mental e muita presença de amigos e ajuda, essas pessoas acabam por passar à categoria de fantasmas. E que categoria é essa? É a das pessoas que, por muito que nós queiramos, não há meio de desaparecerem da nossa vida, aquelas cuja memória fica a perdurar no tempo, aquelas cujas memórias afloram à lembrança ocasionalmente, especialmente quando há amigos em comum, e, principalmente, aquelas que, volta e meia, decidem mandar uma mensagem para anunciarem qualquer coisa, ou que passaram à tua porta, ou que vão estar em sítio tal e tal. O que esperam essas pessoas: que, depois de toda a mascarra que engolimos e das paredes que amassámos com a cabeça por sua causa, apareçamos por lá como cachorros abandonados a dar a pata e a querer "fazer amor com a perna delas" novamente?

Já não tenho pachorra para estes joguinhos. Especialmente agora, que estou numa fase delicada da vida, que apenas quero não ter chatices e ter unicamente paz e sossego. Por isso, oh Senhores que comandam o Destino, estejam mazé quietinhos e esqueçam-se de mim mais uns seis meses, OK? Deixem-me andar com as minhas merdas sossegado.

disfunção original de Rodolfo Dias às 18:25
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20.02.15

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Os ânimos andam demasiado exaltados, as redes sociais andam em polvorosa. Porquê? Pois, boa pergunta.

Desde os ataques ao Charlie Hebdo houve quem bradasse aos quatro ventos que, com aquilo, era o fim da liberdade de expressão, que, a partir daquele dia, as pessoas iam ter medo de continuar a dizer o que pensam. Eu, na altura, achei isso um exagero. Todavia, mais de mês e meio depois dessa triste data, cada vez mais acho que esses arautos da desgraça tinham razão. Mas não pelos motivos propagados - e com esse ataque à liberdade de expressão a vir precisamente de quem mais a "defende".

Não sei se a crise em que vivemos anda a mexer com as cabeças da população e elas acabam por precisar de aliviar o stress de alguma forma, mas diria que nos dias de hoje há que se ter muito cuidadinho com o que se coloca nas redes sociais - muito mais do que se tinha cuidado com as conversas nos tempos da PIDE/DGS - sob pena de alguém, Charlie ou não, não gostar, seja lá por que motivo for, e desencadear a partir dali uma campanha de ódio contra a pessoa (ou instituição - mas já elaboro este caso), que ecoa em outras pessoas que alinham pelo mesmo diapasão, sentem-se ultrajadas pelo colocado... e, a partir daí, o infeliz tem a vida feita num inferno, com ameaças a tudo o que ele tem (família, trabalho, and so on). Passemos a um exemplo.

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A mensagem assinalada é de José Gabriel Quaresma, jornalista da TVI24. Vou fazer um leap of faith e assumir que todos nós, nalgum momento da nossa vida, dissemos algo do género, nas mais diversas situações. Não sei se sim se não, mas não interessa. O que interessa é que houve quem visse e não ligasse, houve quem achasse piada e se risse... e, logicamente, houve quem não achasse piada à coisa. E divulgasse. E a partir daí começaram as ofensas, as acusações, as ameaças, os mails para a TVI com o intuito de provocar o despedimento do jornalista - o costume, portanto, quando as pessoas sentem que estão a atentar contra a honra da sua dama.

Depois há o exemplo da Sagres. Como sabeis, nestes últimos dias apareceu uma publicidade da Sagres baseada numa fífia/frango/"o que lhe queiram chamar" de Rui Patrício no jogo Belenenses - Sporting. E, tal como aconteceu no caso anterior, houve quem achasse piada, quem encolhesse os ombros e, claro está, quem ficasse afrontado com aquilo, indignando-se contra "o achincalhamento do titular da Selecção Portuguesa", jurando nunca mais tocar nos produtos da Sagres, inundando os servidores de mail do provedor do cliente - e, até, colocando no OLX grades de cerveja Sagres à venda (a um preço ridículo, mas não importa).

Eu sou daquelas pessoas que acham que a vida é demasiado curta para andarmos aqui a destilar ódio por tudo o que mexa e não siga as nossas doutrinas e reconheço que também já me indignei algumas vezes com situações parvas, mas... qual a necessidade de chegarmos a estes pontos por coisas parvas? O que aconteceu à nossa boa-disposição, ao nosso poder de encaixe? E vamos partir do pressuposto que estas campanhas de ódio fazem valer os seus direitos e conseguem efectivamente provocar o despedimento do prevaricador: o que se ganhou com isso? Ou é a sempre presente Schadenfreude que tanto amamos e veneramos a entrar em cena?

Gostava que me explicassem isso. Mas com desenhos, pode ser que eu perceba assim.

 

PS: quero desde já deixar bem claro: se as situações se tivessem passado com outros intervenientes de outros clubes, as minhas posições seriam exactamente as mesmas, lamento. Quando não gosto das coisas, não as vejo - parece-me simples matemática, certo? Como diz uma amiga minha, "Ser Charlie não é rir de tudo, é só não matar quem não nos faz rir."

disfunção original de Rodolfo Dias às 11:22
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18.02.15

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E pronto: os sacos de plástico disponibilizados anteriormente de forma gratuita nas superfícies comerciais passaram a ser taxados pelo Estado. Para além dos gritos useiros e vezeiros destas ocasiões de "Qualquer dia taxam-nos até o ar que respiramos!", o que este acto acabou por resultar é em ver muita gente passar a trazer sacos de casa ou em andar com aqueles recicláveis de 1€ (ou mais, sinceramente atirei o valor ao ar) e meter tudo lá dentro. Bom, se formos a ver, a malta ia ao hipermercado, comprava dez itens e levava dez sacos para casa, cada um com uma coisa. Mas já sei que, dizendo-se isso, as pessoas poderiam dizer "os sacos não gratuitos? Não estou no meu direito de levar os que eu quiser? Então eu levo os que eu quiser!", o que acaba por ser mau para o ambiente, blá blá blá. Por isso, recorre-se à segunda mais fácil e primitiva forma de se inibir o ser humano de fazer alguma coisa: coloca-se um imposto sobre essa coisa.

Agora o que me causa alguns fornicoques no cérebro é ver malta dizer que é uma injustiça retirarem os sacos, que é um direito dos consumidores terem-nos à sua disposição. Meus amigos, eu aconselhava-vos a fazerem uma pequenina imagem no tempo, para o tempo em que não existia grandes superfícies coemrciais cá por Portugal, para o tempo que os vossos pais, os vossos avós tinham de ir à mercearia da esquina (ou da aldeia mais próxima) fazer o avio para a semana ou para o mês, e não recebiam as compras em saquinhos de plástico! Todavia, os compradores iam munidos da sacola de serapilheira ou do cesto de vime, ou daquelas fitas que uniam as paletes de tijolos, colocavam as compras ali dentro e seguiam felizes e satisfeitas da vida (algumas queixando-se das cruzes, mas isso todos nós teremos, se lá chegarmos). Só que, com o tempo, como sempre, fomo-nos acostumando à ideia de termos os saquinhos de plástico à là gardère e agora, que eles passaram a custar a exorbitância de 0,10€ (que, para quem compra muita coisa, realmente é algum custo acumulado), em vez de pensarmos em voltar a este hábito de dar trabalho aos pobres artesãos que ainda se dedicam a esta arte de criar cestos e cestas e sacolas e o mais, optamos antes por reclamar da injustiça que é taxarem-nos os sacos de plástico.

Não ao saco de plástico! Sim à cesta de vime (à falta de melhor chavão para comcluir este post... olha, vai assim mesmo)!

 

PS: o post anterior desta xafarica foi tão bom, tão bom, tão bom que até mereceu destaque no Sapo. A todas as pessoas que se enganaram e vieram cá parar: as minhas desculpas. Manter a bitola era dificílimo: é que aquele post saiu bonzinho, os restantes são assim p'ró merdosos.

disfunção original de Rodolfo Dias às 14:20
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12.02.15

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Antes de mais...

O


 

Pronto, agora que já metemos a bolinha vermelha no canto do post, continuemos.

Nesta altura do Dia de São Valentim, aparece de tudo um pouco para apelar aos corações dos casais de namorados. Como se a tarefa masculina não estivesse já dificultada por termos de adivinhar o que é que o outro lado da barricada gostaria de receber por esta altura, na edição de 2015 as dores de cabeça para os homens serão ainda maiores, pois, para além de uma prenda catita, as caras-metade querem que eles passem a ser uns "Christian Grey" que as amarrem à cama e lhes façam amor louco e furioso com as mesmas. Tudo por causa do filme que acabou de estrear e que é baseado na trilogia das "50 Sombras de Grey", uma espécie de "Corin Tellado" do século XXI mas com correntes e algemas. Não li os livros - nem sequer faço tenções disso - mas quase calculo que consigo descobrir o enredo: uma jovenzinha inocente apaixona-se por um milionário rico e giro que a seduz e a acaba a introduzir ao BDSM. Basicamente, aqueles livrinhos bons para solteiras com cerca de vinte gatos em casa e que continuam à espera do príncipe encantado ou para donas de casa fartas da aborrecida vida sexual e que esperam que, do nada, os maridos se transformem nuns Chistian Grey e que lhes comecem a dar com uma paddle no nalguedo, as amarrem à cama e assinem um contrato em como elas passam a ser propriedade deles.

Eu sempre tenho tentado viver as coisas sob um prisma de que tudo é possível e permitido a um casal desde que haja a) maioridade de todos os intervenientes e b) consentimento de todos os intervenientes. Por isso, não condeno a malta que pratica o BDSM como deve ser, com todas as suas regras e preceitos, e que se tentem mudar algumas mentalidades sobre isso, por forma ao resto do mundo em geral não considerar os BDSMitas como uma cambada de depravados que se vestem de cabedal e látex e fazem "cenas malucas". Nada contra. A porca torce o rabo é quando começam a aparecer miúdas que lêem o livro e/ou vêem o filme e pensam "meu Deus, eu quero tanto ter um Grey na minha vida" e desatam à procura do primeiro gajo que seja giro, rico e que lhes dê porrada e as domine - e que depois se queixam de terem sido agredidas, de não ser nada daquilo que queriam e tal e coiso. Vamos ser sérios: a história só funciona e só tem tanta atracção porque o personagem alfa da coisa é um homem bonito e rico; caso não tivesse essas duas características, encolhia-se os ombros, era giro e tal e partia-se para outra. E só deixamos fazer tudo o que quisermos à outra pessoa se ela for rica e bonita, basicamente. Se o Grey fosse uma espécie de corcunda de Nôtre Dame, aproximasse-se da Anastasia e lhe sussurrasse ao ouvido com voz fanhosa "quero amarrar-te e fazer amor louco contigo", ela pregava-lhe com um banco na cabeça e fugia dali a sete pés. Não me lixem!

Caríssimas, lerem um livro de ficção/romance erótico e/ou verem um filme sobre o mesmo não faz de vós experts em bondage, em sadomasoquismo ou em merda alguma, para ser sincero. Que sirva para apimentar a vida sexual, tudo bem - e as lojas de artigos sexuais já estão a esfregar as mãos de contentamento com a enxurrada de compras que ai vem - mas armarem-se em submissas apenas para terem um bonzão a dizer-vos que vos quer como submissa é... como hei-de dizer?, uma fantasia, nada mais que isso. Daquelas semelhantes às dos homens fantasiarem com enfermeiras vestidas de látex justinho ou com mulheres cobertas de cabedal e botas de salto alto - e, muitas vezes, elas acontecem e acabam por se revelar uma tremenda desilusão. Por isso mesmo são "fantasias": boas para aqueles momentos em que estamos sozinhos e procuramos estímulo íntimo.

Se quiserem mesmo saber o que é BDSM, leiam, pesquisem (o Google é amigo), mas não se baseiem num livro de ficção de realidade zero. A sério. Ide por mim.

disfunção original de Rodolfo Dias às 21:07
 O que é?

11.02.15

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Ao que parece, "ser-se Charlie" é algo assim tipo interruptor: carrega-se num botão e "somos Charlie", carrega-se no mesmo botão e deixamos de o ser. Isto dá muito jeito quando se toca em assuntos respeitantes à opinião dos outros ou à nossa. Nada que não se soubesse, é verdade, mas tendo em conta os últimos acontecimentos, apeteceu-me puxar este tema mais para cima outra vez.

Isto vem tudo a respeito de um artigo do Expresso onde aparecem a Imbecil Que Acha Que Os Ataques Ao Charlie Hebdo Foram Motivados Pela Austeridade (mas mais conhecida pelo nome de baptismo de "Ana Gomes") e a Imbecil Filha De Adriano Moreira Amante De Paulo Portas (ou, como os amigos lhe chamam carinhosamente, "Isabel Moreira"), que, nos últimos tempos, têm andado num bate-boca digno de um qualquer Rocky Balboa Vs. Apollo Creed. Confesso que isso, a mim, não me aquece nem me arrefece (ou, por outra, até dá gosto de ver duas socialistas às turras e às birrinhas por atenção), apesar de já ter consumido muitos baldes de pipocas a assistir a este "combate".

O que ainda me dá mais vontade de rir é quando o Expresso faz uma foto-montagem em que mete as duas num cenário de jogo de "soco-neles" da década de 90 e aparecem logo "Charlies" - ou seja, pessoas que andaram a dizer que eram "charlie" logo após os ataques terroristas de 7 de Janeiro, que se fartaram de escrever "je suis Charlie" e de defender que a liberdade de expressão e imprensa deve ser sempre respeitada - a condenartanto a imagem como a notícia em que a mesma se incluía. Portanto, os "Charlies" transformaram-se em "terroristas muçulmanos", basicamente.

Sim, eu tenho problemas com isto. Tenho problemas com a malta que diz "temos de respeitar as vistas das outras pessoas" mas depois desatam a atacar os outros assim que alguém dá uma opinião que não se enquadre na opinião geral. Que "temos de respeitar o que os outros dizem/pensam" porque, basicamente, eles dizem/pensam o mesmo que nós: se não fosse assim, essas pessoas estariam erradas e deveriam mudar de opinião para que estejam de acordo connosco.

Nous sommes hypocrites.

 

PS: não sou defensor do nem trabalho no Expresso.

disfunção original de Rodolfo Dias às 09:59
 O que é?

29.01.15

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Pois é. Parecendo que não, foi há uns dez anos que comecei a ter um web-log (recuso-me determinantemente a utilizar a designação "blog", acho parvo) e comecei a atirar merdas para o mundo ler - ou ninguém, mais certeiramente, mas a questão não é essa. Na altura, estava pelo Blogspot, e escrevia sobre coisas parvas, que me apoquentavam no dia-a-dia que me rodeava. Achava-me com uma piada tremenda, que tinha um estilo que até dava um livro engraçado. Era um puto de 20 anos, cheio de vontade de vomitar bitaites parvos. Dez anos depois, apenas me apetece dizer: parvo.

Muitas coisas mudaram em dez anos, até mesmo o meu "alias". Quando comecei era "Nettwerk van Helsing", agora passei a ser "Rodolfo Dias" - a parvoíce aliou-se à brejeirice, basicamente. E o endereço também mudou, pois, se estava no Blogspot, passei para o Sapo, e mesmo no Sapo esta já é a segunda encarnação desta xafarica. Mas, como sou um gajo que gosta de acumular tudo, fui sempre transferindo os posts antigos comigo - portanto, se quiserdes, podeis deliciar-vos a recuar no tempo e a ver todos os textos que alguma vez aqui coloquei. Não que o aconselhe, sinceramente. Se calhar é só uma fase, enfim.

Outra coisa que mudou com o tempo foi a atenção que dediquei a isto. Se, nos primeiros tempos, pensava fazer disto quase um diário, a verdade é que passei quase anos em que este espaço ficou ao abandono, onde apenas vinha colocando uma pensagem de quando em vez, tentando ganhar novo fôlego para regressar aos textos - fôlego que nunca chegou. Depois vejo posts de outras pessoas e volto a galvanizar-me. Enfim. Maldito Facecoiso. Maldita alienação desta maldita sociedade. Bah.

PS: por acaso, o aniversário foi mesmo há dois dias. Mas que se lixe. Com F grande.

disfunção original de Rodolfo Dias às 15:58
 O que é?

15.01.15

Fonte: livro "Viola Campaniça - O Outro Alentejo", do Dr. José Alberto Sardinha, ed. Tradisom

 Se falarmos do nome "Manuel Bento", 99,95% das pessoas lembrar-se-ão imediatamente do guarda-redes de Riachense, Goleganense, Barreirense, Benfica e Selecção Nacional, desaparecido há perto de sete anos. Todavia, há um grupo bastante mais pequenino de pessoas, com ligação à cultura e às tradições do Alentejo, que se recordarão de um homenzinho, originário da Aldeia Nova – aglomerado de casas submerso pela Barragem do Monte da Rocha, perto de Ourique, muito antes de se falar em Alqueva e em deslocalizar aldeias – que se tornou conhecido por ser um fenomenal executante de viola campaniça, a viola tradicional do Alentejo, de quarto ou cinco cordas duplas e que esteve perto da extinção na década de 70 do século passado mas que ressurgiu anos mais tarde graças ao programa “Património” da Rádio Castrense e à primeira edição do livro “Viola Campaniça – O Outro Alentejo”, do Dr. José Alberto Sardinha – mas o assunto e história da viola campaniça é longo, merecedor de um post dedicado exclusivamente a isso.

Voltemos, assim, à vaca fria. Sim, este post é sobre esse Manuel Bento, desconhecido da esmagadora maioria da população portuguesa. O Ti Manuel Bento.

 

Muitos de vós estarão a ler isto e a pensar “porque raio está este gajo a falar de um velhote que toca guitarra viola1 no Alentejo?”. A questão é respondida em duas partes. Em primeiro lugar, porque o Ti Manuel Bento é um baluarte da cultura alentejana, sempre com a sua viola campaniça a tocar, seja a acompanhar cante a baldão2 ou modas alentejanas; e neste aspecto das modas, ele, a mulher, a Ti Perpétua Maria, e o seu tio (apesar de mais novo que ele dois anos), Francisco António Bailão, formaram um grupo que ficará para sempre na memória de todos os que são apaixonados pela música alentejana, que viajou pelo país e além-fronteiras sempre a espalhar a cultura e a música do Baixo Alentejo.

Em segundo lugar, porque o Ti Manuel Bento, último resistente desse trio que me encantou (e continua a encantar, por intermédio de gravações) em moço novo, deixou-nos ontem.

 

Conheci-o em 1998. Na altura, eu era um puto de 14 anos, estava de férias na minha terra (um monte perdido na freguesia de São Martinho das Amoreiras, concelho de Odemira) mais a minha família, com uma viola campaniça oferecida por meu pai. Depois de alguns dias de roda dela, a tentar perceber como funcionava aquele instrumento, o meu pai deu-me a ideia de procurarmos o Ti Bento para me dar umas lições de como tocar na campaniça. Naquela altura, ele encontrava-se no Lar de Ourique após as grandes cheias de 1997 que lhe inundaram a sua casita na Funcheira. Recordo-me que, curiosamente, fomos ter com ele ao cemitério de Garvão, pois havia ido ao funeral de uma pessoa amiga. Falámos com ele, na possibilidade de me dar umas lições de viola campaniça, e logo no primeiro contacto foi mais que evidente a sua simpatia e solicitude para ensinar, para que aquele toque não se perdesse, pois “já só uns velhotes é que tocam isto, quando nós morrermos, acaba-se a viola”. Depois do serviço fúnebre, demos-lhe boleia até Ourique e naquela tarde ele ensinou-me os pontos principais da viola, onde devia colocar os dedos, e regressámos ao monte. Pratiquei e pratiquei e, dias mais tarde, regressei a Ourique para mostrar-lhe se estava a ir bem. Ele nessa altura ensinou-me a tocar a Erva Cidreira, uma moda simples mas que permitia compreender bem os pontos que eu havia aprendido anteriormente. Mais uma vez regressei ao monte, pratiquei e pratiquei e regressei lá uns dias mais tarde, para mais uma aula, levando um rádio com gravador para se gravar mais umas modas – pois as férias estavam a acabar e, poucos dias depois, regressaríamos à urbe. O Ti Bento tocou o Meu Lírio Roxo do Campo e a Mariana Campaniça para gravarmos e disse-me que o essencial eu já sabia, agora era praticar. E foi isso que fiz. Recordo-me ainda que por essa altura eu mais a minha família fomos à missa de um ano da sua mulher e companheira de cante, a Ti Perpétua, falecida em 1997 (obviamente), numa antiga escola convertida em capela na Funcheira. Meses mais tarde, quando fomos de férias lá abaixo pelo Natal, salvo erro, fomos ter com ele novamente, creio que já numa casita apertada na Funcheira, propriedade da CP onde havia sido realojado após sair do lar, mostrei-lhe os meus avanços e ele sorriu, dizendo que não precisava de lá ir mais para aprender, que comigo e com o Pedro Mestre, um rapazito que andava a aprender com o Ti Chico Bailão, a viola campaniça poder-se-ia manter ainda mais uns anos – hoje em dia, o Pedro Mestre é o principal impulsionador da viola campaniça no Baixo Alentejo, com inúmeras iniciativas para incentivar o toque junto dos jovens, conseguindo mesmo ter uma escola de miúdos que hoje em dia já tocam a viola campaniça.

 

Com a morte do Ti Manuel Bento, desaparece o último resistente de uma geração de tocadores de viola campaniça que foi praticamente esquecida nas décadas de 1960 e 1970 e que acabaria, através de algumas coincidências e timings felizes, por estar na base do ressurgimento deste instrumento tão castiço. Uma geração que incluía gente cujo talento era directamente proporcional à sua anonimidade, como, para além dos já citados Ti Bento e Ti Chico, o Ti Manuel Verónica (que Ti Bento jurava ser o melhor tocador que ele alguma vez viu, melhor mesmo que ele próprio), com um estilo diferente do que se ouve nos dias de hoje, ou o Ti António Jacinto Figueirinhas, o primeiro tocador a ser encontrado pelo Dr. José Alberto Sardinha – encontro esse que acabaria por lançar este advogado na rota da viola campaniça, resultando na primeira edição do livro+vinil “Viola Campaniça – O Outro Alentejo”, publicação que acabou por despoletar o ressurgimento deste instrumento. Quero imaginar que, neste momento, o Ti Bento já se juntou à Ti Perpétua e ao Ti Chico e que andem agora a inundar o Céu com modas alentejanas, ou que estará a acompanhar o cante a baldão com cantadores como o António Bernardo, o António do Pinho, o Leonel do Salgueiro, o Ti Cremilde, entre tantas outras vozes que já nos deixaram.

Até sempre, Mestre.

 

 

 


1- Tem sido uma coisa que me tem mexido com os nervos, falarem de “guitarra campaniça”, ou guitarra. Viola é viola, guitarra é guitarra, gaita!

2- Forma de cante a desafio, por norma (mas não obrigatoriamente) acompanhada a viola campaniça. Também seria um bom tema para um post, falar disto.

disfunção original de Rodolfo Dias às 16:24
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