09.11.11

Ando há muito tempo por aqui calado, eu sei.

É que tenho tido dois problemas principais a fecharem a torneira dos posts, que eu gostava que estivesse constantemente aberta: a) não tenho tido vontade nenhuma de escrever. Tem dias em que abro o Word, ou aqui a janela desta frederica, e que acabo por fechá-los porque não me sai nada; e b) nas poucas ocasiões em que me sinto com vontade de escrever... não me ocorre tema absolutamente nenhum. Claro que podeao dizer "falta de temas?! Com tudo o que se está a passar no mundo, não arranjas nada sobre o que escrever?!" E eu respondo... não, nada. Nada disto me motiva a juntar duas linhas de texto, quanto mais um post inteiro. Especialmente quando tudo o que se está a passar já era previsível que acontecesse. Depois de anos e anos a encostarmo-nos à sombra da bananeira e a pensar que o estado de graça iria durar para sempre, a dura realidade provou-nos o contrário. Com anos a fio a trocarmos os nossos afazeres por subsídios, baixas, créditos e outras formas de se fazer o mínimo possível recebendo o máximo possível, a teta secou... e agora cada um tem de pagar por isso. Com a agravante do dinheiro não ser para "nós", Estado, mas para se regularizar a nossa situação, pagar as dívidas ao exterior e garantir o mínimo de sustentabilidade a este rectângulo à beira-mar plantado.

 

Agora, isso de "garantir sustentabilidade" implica sacrifícios, e os povos mediterrânicos, para sacrifícios...  enfim, é complicado. Isso implica, também, passar muita da "gordura" do Estado para a mão de outros. Porquê? Porque não há dinheiro para sustentar tanto sorvedouro. Sítios que, pura e simplesmente, não seja rentável existirem serviços ou onde estes sejam deficitários, têm de ser encerrados - sob pena de arrastarem o resto do país para a lama e para a bancarrota. Ou será isso que, no fundo, nós queremos? Aquela velha permissa do "se eu não posso estar bem, então que ninguém esteja"?

Claro, todas estas coisas geram protestos, greves, e o mais. E aqui, todos têm de estar do mesmo lado. Na última greve dos transportes públicos, que foi, erm... ontem, na comunidade ferroviária online, como normalmente, houve grandes discussões entre quem apoiou a greve (ou quem a fez, mesmo) e quem não estava de acordo com a mesma. E acabam por acontecer coisas menos bonitas, trocas inflamadas de argumentos, que acabaram por redondar em trocas gratuitas de insultos, até mesmo ao achincalhamento de quem se achou no direito de fazer greve, insultando mesmo colegas de profissão, com quem, se for preciso, convivem no dia-a-dia, apenas e só porque optaram em não aderir à greve. Sou só eu a achar isto de um terceiro-mundismo atroz e medonho?

 

De modos que é esta a sociedade que temos. Pobre de dinheiro e, cada vez mais, pobre de espírito, resumindo tudo a lutas ideológicas sem sentido, no apoiar de ideias fossilizadas no tempo.

 

Não foi isto que esperava quando assinei o contrato lá em cima que me permitiu andar cá pela Terra. Posso rescindi-lo?

disfunção original de Rodolfo Dias às 20:58
 O que é?

Twitter button
Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
Twitter
enviar spam
Novembro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

28
29
30


vasculhar
 
Disfunções mais velhas que a sé de Braga
2016:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2015:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2014:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2013:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2012:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2011:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2008:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2007:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2006:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2005:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


Networked Blogs
origem
blogs SAPO