10.07.11


Somos um país de aparências. Ponto.


 


Podemos dizer a todo o mundo que temos perto de 50 auto-estradas, que temos 2.793 km de auto-estradas - que, no futuro, passarão a ser 3.383. Também poderemos dizer que temos uma das maiores taxas de auto-estradas por metro quadrado1. E, suponho, tudo isso nos faz sentir bem connosco próprios, com orgulho de termos vias em bom estado que nos levam a todo o lado rapidamente.


No entanto, as coisas não são bem assim.


 


Não me vou debruçar sobre a assimetria da localização de tais vias (principalmente, Norte e Litoral), ou sobre a redundância de algumas delas. Pretendo apenas olhar para o que temos, hoje em dia, considerado como auto-estrada, segundo a EP. É que, afinal de contas, temos auto-estradas "camufladas" - sem as mesmas terem as indicações de tal na sinalização presente ao longo das mesmas


 


Nas primeiras 25 auto-estradas, não se encontra nada de anormal2. Quando se chega à A26, porém, o caso muda de figura. Para quem não sabe, esta é a via que vai ligar Sines a Beja (o IP8), da qual existe já um pequeno troçozito entre Sines e Santiago do Cacém. Ainda sou do tempo que essa estrada lá tinha as placas de via rápida, as antigas (que, infelizmente, não consigo encontrar na net, senão colocava aqui); desde então, retiraram as ditas placas e incluíram-na neste projecto, já designando-a como "A26"... esquecendo-se de que não é uma auto-estrada: tem viragens à esquerda, cruzamentos, paragens de autocarro e não existe vedação à volta das faixas de rodagem. Depois, temos a A30, que não passa de uma via rápida entre a Ponte Vasco da Gama e Santa Iria da Azóia; a A31, que, apesar de ter "perfil de auto-estrada", possui lombas e nós impróprios para uma via exclusiva para automóveis; a A36, que... bom, é a CRIL; a A37, que é o nome "pomposo" do IC19; a A38, que é a Via Rápida da Costa da Caparica - que tem um cruzamento à esquerda e tudo, para além de paragens de autocarro ao longo do percurso; a A39, a Via Rápida do Barreiro, que, um dia, há-de dar ligação a Lisboa pela Terceira Travessia do Tejo, mas que, por agora, é uma simples via rápida com cruzamentos, rotundas e tudo; a A40 - Radial de Odivelas, que continua a manter a designação de IC22; e, para finalizar, o caso flagrante da A44, uma auto-estrada estreitinha e bermas estreitinhas, com paragens de autocarro e trocos ainda assinalados como IC23. Já agora, todos estes casos, salvo erro, não se encontram sinalizados como auto-estradas. Porém, estão incluídos no PRN2000 como tal... e também há alguns com limites de velocidades inferiores à norma e que não foram aqui referenciados, para não maçar.


Dá a ideia de que era necessário termos um x número de auto-estradas e que, dessa forma, muitas das vias rápidas e IC's existentes foram "promovidas" sem se reparar se tinham ou não perfil para isso. E, apenas mais tarde, se pensou em modificá-las, a médio-longo prazo. Não faz sentido, mas, mais uma vez, é mais um caso de nos preocuparmos com as aparências, apenas e só - por isso, a minha abertura deste texto.


 


Não sou contra as auto-estradas, atenção. Sou contra, isso sim, "dourar-se a pílula" para parecermos bem nas estatísticas e considerarmos como auto-estradas vias que não o são. Mas tudo bem.


 


 




1- Não tenho aqui os números à mão, pronto.


2- Com excepção dos troços do IC10 entre Santarém e Almeirim que já é considerado parte da A15, e do IC16 entre a CREL e a CRIL e à A20, ainda pouco assinalada como tal; e, em relação à A19, não vou comentar, por não poder comprovar a situação no terreno.

disfunção original de Rodolfo Dias às 15:20
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