29.12.05
Depois do Natal, penso que é tempo de uma reflexão pós-festiva (sabendo que, dependendo do ponto de vista, também pode ser considerada pré-festiva, pois vem aí o réveillon). Ou seja, quebrando a rotina que tinha de postar a cada três-quinze dias (é uma expressão tãããão bonita...). Foram só onze, desta vez. E, com medo de não escrever o suficiente para ocupar, no mínimo, uns dois parágrafos, decidi disparatar sobre uma panóplia de temas. Muito provavelmente isto vai ser uma salada caótica e sem jeito nenhum... mas quem se vai queixar? Hah.

As prendas de Natal


OK, eu confesso: eu sou uma criança em ponto grande. Por mais idade que tenha, eu vou sempre querer presentes. Sempre. Nem que sejam o raio das meias turcas com raquete, tão características e tradicionais desta quadra festiva.
Pois bem, este ano, tive um Natal à adulto. De mãos a abanar (sim, eu sei o que muitos estarão a pensar agora: "querias prendas, era? Ora toma! É para aprenderes que o Natal não é prendas, é estar com a família!" E eu estive, pronto. Mas queria umas meias turcas, OK? NATAL SEM MEIAS TURCAS NÃO É NATAL!!). Por isso, decidi ir comprar as minhas próprias prendas. E armei-me em garganeiro, e fui para além das meias turcas (se eu escrever mais uma vez "meias turcas", corto as mãos). Dei por mim na FNAC do Colombo, a olhar pasmado para o preço de um livro. Não me recordo qual era já, mas estava bem inflaccionado em relação ao conteúdo.
Sinceramente, eu olho para os preços dos livros e sou obrigado a chegar à seguinte conclusão: os portugueses são burros por culpa do Governo.
"O quê?! Mas este gajo passou-se de vez, ou quê?" hão-de me perguntar.
Sim, mas não interessa. O facto é que a cultura, hoje em dia, se paga a peso de ouro. Uma pessoa, para conseguir ter uma obra de leitura minimamente decente (e não estou a falar em aberrações, tipo "O Meu Pipi") tem de largar mundos e fundos.
Iisto é um mal que se tem vindo a agravar. Vamos a um exemplo: um livro das "Aventuras Fantásticas" (para quem não conhece, isso são uns livritos/jogos RPG em que o leitor escolhe o caminho que segue, com quem luta, etc. e tal), há 6 anos custava 800$. Hoje? Em moeda antiga... 1400$. Um bocadito menos do dobro. Rai's parta, eu comprei três livritos e fiquei com a conta quase a zeros (também não estava exageradamente rico, mas tinha uns cobres razoáveis)! Depois não admira que, naqueles concursos de cultura geral, tipo "Quem Quer Ser Milionário", apareçam lá figuras a meterem valentíssimas argoladas e a serem motivo de chacota dos espectadores (especialmente os que estão em casa). Pudera: ninguém lê um livro de jeito!
E também é por falta de leitura que aparece...

Uma nova linguagem


Facto batido: o português é preguiçoso. Não gosta de perder muito tempo à volta de um teclado a escrever palavras muito compridas. Quer dizer tudo às três pancadas e já está!, os outros que tentem descobrir o que ele tentou escrever.
No que dá isto? Bom... todos conhecemos (e utilizamos - ou utilizámos) o, cada vez mais comum, dialecto SMS, nascido originalmente nesse mundo que é(ra) o mIRC e transportado para os telemóveis de milhões de adolescentes em crescimento.
Para que serve? Bom... para fazer com que tudo o que queiramos dizer caiba numa mensagem. Por exemplo: se tivermos de mandar uma mensagem à nossa cara-metade, a dizer "Muitos beijos para ti, adoro-te muito.", podem sempre mandar "mts bjs p ti, doro-t mt mt mt mt mt". Poupa-se espaço, e aproveita-se para reforçar ainda mais a coisa.
O problema é quando se leva isto ao extremo e começa a haver uma transformação de certas letras, como por exemplo, do 's' passar a ser um 'x', flagelo que muito me apoquentou nos meus tempos mIRCianos (com uma letrinha de diferença isto soava perfeito), ter de lidar com tanta gente a falar "axim", "à là" Viseu (não que tenha alguma coisa contra as gentes da Beira, atenção!). E o meu maior medo é que, mercê da evolução, essa passe a ser a maneira normal de se comunicar. É de arrepiar, meus amigos! Como iriam reagir vocês se o/a vosso/a mais-que-tudo vos dissesse ao ouvido "ex a coixa keu maix goxto, dowo-te mt mt mt"? Eu acho que, se fosse comigo, eu fugia a pés a gritar como se não houvesse amanhã. É extremamente medonho, caótico mesmo.
Por isso é que não mando mensagens a ninguém. Para não receber respostas destas.

Pronto, já tenho material para me chegar durante uns meses...

Bom, depois disto tudo (a história da panóplia foi só para despistar; afinal de contas não estava tão inspirado quanto pensava...), só me resta desejar umas boas saídas do ano, umas boas entradas no ano, boas aventuras e...

Boas orgias.

(gostava de saber o que é preciso para aparecer na penúltima página do Destak. Será preciso ter textos excessivamende deprimentes, mas não tanto como os meus? Se for preciso, crio um novo web-log só para isso... e até já tenho uma ideia para isso. Mu! Ah! Ah! Ah! Ah! E é tão má como este web-log. Ou mesmo pior. Mas não interessa)
disfunção original de Rodolfo Dias às 02:47
 O que é?

18.12.05
Uma amiga minha, aqui há tempos, dizia-me que "os telejornais à hora de jantar são uma ideia muito má, porque tornam as pessoas insensíveis às desgraças". Terá o seu quê de razão... mas eu penso que há certos assuntos que tocam as pessoas, passem às horas que passarem. E um deles é o assunto da recém-nascida de Viseu.
Para todos os que ignoram o que se passa no país (ou que pura e simplesmente se estão a cagar para os noticiários), aqui fica um apanhado geral: uma menina, de mais ou menos 50 dias de idade, deu entrada no Hospital de Viseu com indícios de abusos sexuais. A menina esteve em coma, já melhorou, mas os médicos indicam que vai ficar com marcas para o resto da vida (pode ficar cega de um olho, com sequelas sensoriais). Para juntar mais uma acha à fogueira, a bebé, em 50 dias de vida, a criança já havia dado entrada no mesmo hospital, à mesma com sinais de maus tratos físicos, por quatro vezes. QUATRO. É claro que os pais já foram detidos, ela de 20 anos, ele de 22, que até aliás já havia sido identificado em pelo menos três actos de abusos sexuais a raparigas menores.
Agora eu faço uma pergunta: "e agora?". Agora, o que vai acontecer às três personagens deste conto de horror? Será que os santos pais da menina passarão uns diazinhos de férias na PJ, para depois voltarem de novo às ruas? Voltará a situação a repetir-se, mesmo sabendo que todo o país já tomou conhecimento da sua "façanha" e mesmo sabendo que a criança agora está aos cuidados da avó? Sim, porque eu não acredito que, após uma grande lavagem ao cérebro, uma avó não se compadeça do/a filho/a e lhe entregue de novo a neta... E o que acontecerá à pequena Fátima? Terá finalmente o direito de crescer numa família normal que lhe dê amor, ou terá o destino que comentei anteriormente?
No entanto, há mais um culpado nesta trama: a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR). Foram precisas quatro viagens ao hospital para eles tomarem conhecimento que havia uma menina recém-nascida a ser abusada? Na primeira, vá que não vá, pode-se dar o desconto; na segunda... talvez ainda se dê o benefício da dúvida (dificilmente, mas enfim...); mas na terceira, pela madrugada!, só não vê quem é cego! Depois acho uma extrema piada quando o presidente da CNPCJR anuncia que "o sistema funcionou, não resultou de negligência ou omissão de alguém. O hospital de Viseu não falhou e a Comissão procurou que a criança fosse mantida em condições de segurança."
Eu juro, a sério, que gostava de fazer um comentário decente sobre a frase, mas não consigo parar de me rir. Se a culpa não é do sistema, se não é da comissão, se não é do hospital... então de quem é, Sr. Presidente? Minha é que não há-de ser, afinal de contas... e também gostava de saber qual é a noção de segurança deste senhor: se procuraram "que a criança fosse mantida em condições de segurança", como ele diz, então como é que a criança vai acabar com os mesmos que a maltrataram?
Sei que isto vai parecer contraditório, mas eu espero que os pais sejam postos em liberdade, e também espero que eles regressem à sua casinha. Porque eu sei que, se alguém naquela terra desconfia que eles estão livres e a apenas uma parede de distância... bom, eu não quereria estar na pele deles.

Bons linchamentos.

PS: queria aproveitar para mandar um desejo de melhoras à amiga que referenciei anteriormente, que foi recentemente operada. Arriba, moça! =)

(não sei se este será o meu último post do ano, mas a como minha recente taxa de "postagem" assim o parece indicar, estamos assim: se este for o tal, então Feliz Natal e Boa Passagem, com muitos excessos. Se não for... então, como diria Rowan Atkinson: "Sod off")
disfunção original de Rodolfo Dias às 22:21
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03.12.05
Eu gostava de conhecer o génio que teve a ideia peregrina de começar esta onda. Na altura era só um sonzinho num site com uma foto duma mota, que toda a gente achava que tinha uma piada fenomenal (não preciso de expressar a minha opinião: também tem cinco letras, também começa em 'p' e também acaba em 'a'; mas não é 'piada', asseguro-vos), mas como a coisa nunca mais passou daí, julguei que estivéssemos a salvo da extrema parvoíce.
Oh, quão inocente fui.
Quando dei por mim, haviam começado a fazer músicas com o som. Pior: arranjaram uma figura para os "emitir". E, como se não fosse possível, essa figura consegue ser mais deprimente e parva que a música. Ora atentem:



Tanta ideia, tanta figura que eles podiam ter arranjado, e eles tinham de arranjar um sapo gordo, nú (sim, porque deram-se ao trabalho de o apetrechar duma pila), com cara de otário e de capacete, ainda por cima: o sapo é motociclista, também... o que é a desculpa para esta "linda obra de arte" começar a imitar motas.
Acima de tudo, o que é fantástico é que os génios por detrás do projecto não se limitaram a fazer só uma música (em que assassinam um clássico dos anos 80). eles fizeram um CD! E esse CD já andou em primeiro lugar dos tops cá em Portugal!! Fantástico!!!!
Depois do fenómeno O-Zone (que desapareceram como se a terra os tivesse engolido - e só tenho pena de isso não ter acontecido um ano antes), o fenómeno Crazy Frog só de dá provas - como se eu ainda precisasse - que só tem sucesso quem é extremamente parvo. Não uso a frase cliché "... que a malta em Portugal tem gostos parvos", porque este é um mal comum a todo o lado. Para mim a culpa é dos hamburgeres da McDonald's (que um dia também levará por tabela)...

Boas motorizadas.

UPDATE: Como se a parvoíce não tivesse sido já suficiente, vai ser lançado uma edição de Natal do dito CD, com mais quatro músicas que a versão normal... Quanta gente não vai comprar mais este CD só por causa destes brindes? É a cultura pop em todo o seu esplendor.
disfunção original de Rodolfo Dias às 13:26
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Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
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