07.02.05
Este post, contra o que é costume, não vai estar carregado de ironia, de piadas fáceis, de palhaçada. Tudo porque o seu autor não é o Nettwerk van Helsing, mas sim o rapaz por detrás do Nettwerk van Helsing. E qual é a coisa que esse rapaz sabe fazer melhor e constantemente? Queixar-se. Portanto, é o que vai ser este post. Queixas. Para todos os que já estão habituados a tal coisa da minha parte, sugiro que passem à frente e que vão ver outra coisa, porque isto vai parecer um déjá vu.

Comecemos pelo início: tenho 20 anos (e meio), encontro-me no 1º ano de Engenharia Informática, e a cada dia que passa começo a ter a impressão que estou no curso errado para mim. Quando estava a pouco tempo de concluir o 9º ano (ou seja: a caminhar para os seis anos), fiz um daqueles testes psicotécnicos, que me deram como resultado ir parar no curso de Informática, ou Geral de Economia. Como tenho um medo pânico de coisas económicas, fugi para a outra opção (que, afinal de contas, era a principal) e até ao 12º, a trabalhar em linguagens de caca como eram, na altura, o Pascal, o C e o Visual Basic, dei por mim a querer ser programador (porque eu fui um daqueles muito poucos miúdos que, se lhes perguntassem o que queriam ser quando fossem grandes, nunca sabia o que responder). Chegou a faculdade, e quase que como por obra e graça do divino Espírito Santo (não há maneira de me desabituar desta expressão, raios!), o aluno razoavelmente bom que tirou um 11 no exame de Matemática transformou-se num cábula de primeira ordem, que consegue passar dias a fio sentado na Associação de Estudantes a jogar às cartas, em casa a olhar a matronas peladas durante horas e horas e que não tem vontade nenhuma de fazer o que quer que seja relacionado com escola. Mais: assunto com o tema "escola" cá em casa é abordado por mim com um resmungo, uma resposta torta e um berro de insatisfação, sempre com o intuito de fazer esquecer o assunto o mais brevemente possível.
E a realidade, pura e crua, é que, a cada dia que passa, me apercebo do que sou: um autêntico falhado. Tivesse eu nascido filho de pais abastados, num berço de ouro, seria um daqueles meninos do papá, que tomam conta da empresa sem perceberem um cú daquilo, que acham que o dinheiro pode comprar tudo, convencidos, preguiçosos. Assim, sendo como sou, sou apenas preguiçoso, sem força de vontade, e um completo nabo.
Sou um falhado porque vejo o meu mundo cair à minha volta e não faço nada para o tentar evitar. Sou um falhado porque vejo os meus pais a esforçarem-se por me darem uma oportunidade para ser alguém na vida e a estar a atirar à rua. Sou um falhado porque não tenho coragem de falar com alguém e dizer-lhe o que sinto, o que penso, o que desejo. Sou um falhado porque sou incapaz de ir à luta, de remar contra a maré. Sou um falhado porque me sinto cansado desta merda que é a minha vida. Sou um falhado por, mais que uma vez, ter pensado em suicídio. Mas até nisso sou um falhado, pois nunca tive coragem de fazer fosse o que fosse. E principalmente, sou um falhado porque, amanhã, nada disto me vai importar e eu vou continuar, na boa, como se nada tivesse acontecido. E a raiva, a raiva que acumulo todos os dias, a raiva que liberto quando me contrariam, a raiva que me faz ter aqueles gritos que me deram a alcunha de "General", a raiva que eu sempre pensei nascer do ódio em relação a certas pessoas, afinal é o ódio em relação a mim mesmo. O nojo que sinto de mim, de ser como sou, de ser o que sou. E o pior é que não sei como me libertar de tal sentimento.
Talvez, lá em cima, se escreva direito por linhas tortas. Talvez o facto de eu não ter uma relação à vista seja uma bênção para o mundo, para livrar aos que seriam meus descendentes os genes que fizeram de mim um falhado. Talvez a ideia de colocar os 25 anos como uma marca crucial à minha sobrevivência seja uma boa ideia. Talvez eu nunca devesse ter nascido. Talvez... talvez... Talvez amanhã seja diferente. Talvez amanhã eu queira que as coisas mudem. Talvez vá continuar tudo na mesma. No entanto... apesar de me ter custado, este desabafo já me aliviou de sobremaneira. Embora já esteja a ver o que pode passar pela mente de algumas pessoas, que sou uma attention whore e que necessito desesperadamente de atenção. Contra o que poderia ser de esperar, não me vou defender contra tal coisa, porque provavelmente é verdade. Afinal de contas, tendo em conta que sou uma caricatura dum menino mimado (embora a expressão me enoje), tudo seria de esperar, desde escrever textos a lamentar-me da minha pouca sorte até fazer as mais deprimentes e decadentes figuras. Mas neste momento, já não me importa. Já não me importa o que acham de mim, já não me importa o que pensam de mim, já não me importa seacham que sou um palhaço. Começo a entrar no estado de indiferença em relação ao mundo. E, dentro de alguns anos, talvez não seja mais do que um vegetal. Ou talvez apenas os vegetais e os vermes sejam a minha companhia.

Está frio, doem-me os olhos, tenho sono. Não sei o que faço, porque o faço, para onde ir. Peço desculpa pelo texto.

Carlos
disfunção original de Rodolfo Dias às 04:41
 O que é?

BRUTAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Se eu tivesse a capacidade de escrever algo deste genero, axo k pouco ou kuase nada mudava em relação ao k foi escrito, e ñ digo isto só porke tive 7.8 no exame de matemática!! :x lol
Agr falando mais a sério, é "engraçado" reparar komo 2 pessoas k aparentemente ñ parecem ter muito em comum, sentem precisamente o mesmo, com algumas pekenas diferenças klaro, mas se isto ajuda em alguma coisa um falhado nunca conseguiria expôr sentimentos como estes de um modo tão verdadeiro e tão brutal! kem escreve assim ñ é gago!!!! :X lol :D
...e já sabes sempre k precisares, mesmo tendo-te conhecido à pouco tempo, podes contar sempre comigo!

P.S.: "o suicídio pode ser a saída mais "facil", mas é akela k menos dignifica o Homem!"

1 abraço d kem respeita e contudo admira. Ass.: Neteiro
Disfuncional a 7 de Fevereiro de 2005 às 14:21

n posso fikar indiferente a um post destes...principalmente qd o comment anterior é do meu namorado :x :(
eu até consigo entender q em determinados momentos vcs tenham sentido esse impulso,eu mesma o senti "n" x's...ms a realidade ek a vida é pura e simplesmente akilo q fazemos dela, e eu decidi fazer da minha algo mlhr!decidi gostar de mim 1º para dps puder gostar dos outros como deve ser...e principalmente decidi q n ia ser uma "falhada" como vcs se auto-intitulam!pq nós ek decidimos q rótulo vamos usar!e n me venham dizer q n conseguem qd ainda nem seker tentaram...n admito q me digam q falham sem tentar!
sim, General, é covardia. acaba c tds os problemas, é vdd mas... e as alegrias? nc xegarias a saber kal a sensação de determinados momentos q se vivem (e nem vou nomear nnh pq são tantos...). a vida n foi feita para ser só alegrias...o segredo está em saber lidar c eles...aliás sem contratempos nem tinha a mesma piada!e tu sabes bem q certos problemas eram evitáveis...era só reagires!

reage...

bjinhos, tou aki pra ti ****[[[[]]]]
Ana Loura

P.S. - alguém q escreve assim devia ao menos orgulhar-se disso...da maneira como escreves e como gostas de ler já ponderaste um curso de letras?? aposto em ti...
Disfuncional a 16 de Fevereiro de 2005 às 20:38

Bem, tu quase não me conheces e deves estar a pensar... Quem é que esta gaja se julga para vir práqui mandar bitaites :P Mas a minha prima mostrou-me isto e eu tenho de te dar umas palmadas... Tu não sabes nada da minha vida mas uma coisa posso garantir-te não é fácil não! Também me sinto muitas vezes uma falhada... Era a menina dos 19 a matemática e agora sou a dos 9,5 qd consigo... Também eu vejo a vida a acontecer e tudo a escapar-me por entre os dedos... Mas sabes, agora, depois de muita coisa que já passei consigo discernir com o meio neurónio que me resta e sei ver que viver vale mesmo a pena... Quanto não vale ver um sorriso de uma amiga? Quanto não vale ter um grupo de amigos? Bonitos ou feios, gordos ou magros, nós temos de nos amar, qd conseguirmos tar bem connosco as coisas melhoram ligeiramente... Usa a grande máxima... Podia ser pior :P

sei que não tenho tanto jeito pa escrever cm tu mas espero que percebas a intenção... O que temos de fazer é ir pós copos e afogar as mágoas...

Beijinhos

P.S. -> ANa tenho orgulho de ti... Nunca pensei ver-te mudar... Afinal, se tu mudas tudo é possivel :P
Tania Ramos a 16 de Fevereiro de 2005 às 20:57

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Este web-log não adopta a real ponta de um chavelho. Basicamente, aqui não se lê nada de jeito. É circular, c...!
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